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Quando se fala em adolescência, normalmente o que vem à cabeça são as palavras: rebeldia, agressividade, arrogância, falta de educação, enfim, problemas. Mas será que essas características são comuns nessa idade? Neste texto, procuraremos compreender, de maneira sucinta, essa fase que tanto aflige os pais e a sociedade.

Entre 10 e 19 anos, fase da adolescência, segundo o referencial cronológico da OMS (Organização Mundial da Saúde), o ser humano passa pela transição entre a infância e a idade adulta, onde se iniciam as mudanças biológicas, psicológicas e sociais. Os problemas apresentados são praticamente os mesmos em todos os adolescentes: rebeldia, agressividade e repugnância à família.

A questão familiar influencia de maneira significativa o processo de crescimento, onde os pais se deparam com a rebeldia dos seus filhos, são julgados por eles e é chegada hora de evoluir para uma nova forma de relação com o filho que deixou de ser criança. E isso não é tarefa fácil. É comum pais chegarem em consultórios de psicologia e expressarem a dor de ver que são criticados por aqueles que quando criança os idolatravam. Na verdade, não se sabe para quem é mais difícil essas mudanças, para os pais que estão percebendo que sua juventude passou vendo o filho se tornando jovem, ou para o filho que precisa aprender a lidar com esse turbilhão de mudanças que ocorrem nesse período.

Nesta fase de construção da identidade, o adolescente transita entre a busca pela independência e o medo de sair da sua zona de conforto. É um período de conflito, contradições, ambivalência que resultam em atritos entre o adolescente e seu meio familiar e social. A mudança é sofrida não apenas pelo filho adolescente como também pelos pais, que têm dificuldade de aceitar essa nova identidade. Essa dificuldade de aceitação pode implicar em uma rejeição por parte dos pais, que, por vezes, se mascara em uma liberdade excessiva, podendo fazer com que o filho adolescente se sinta abandonado.

Ao se sentir abandonado, o adolescente tende a buscar formas de voltar a ter a atenção dos pais, ou de outras pessoas, como amigos, paqueras. Tudo para pertencer a uma tribo, onde ele seja aceito. Eis que surge a possibilidade de o adolescente apresentar o que se chama de “comportamento de risco”, onde o mesmo passa a ter contato com drogas, violência, enfim com o meio ilícito, e a partir daí começa a desestruturação da família, pois muitas vezes, ao se depararem com filhos envolvidos em uma dessas situações, os pais, sem orientação para lidar com essa situação, agem por impulso e movidos pela emoção e preocupação.

Conflitos entre pais e filhos adolescentes sempre irão existir, o importante é buscar informações para saber lidar com eles, afim de não deixar que o laço familiar se rompa definitivamente.  

 

Publicado na Revista Vitrine

 

Compreendendo meu Filho Adolescente